Com quatro artistas visuais contemporâneas, “LARGO” estreia na Galeria do Lago

A Galeria do Lago no Museu da República inaugura a exposição LARGO, com obras das artistas Isaura Pena, Júnia Penna, Malu Fatorelli e Nena Balthar. 

No texto de curadoria, Isabel Portella escreve: “As quatro artistas visuais contemporâneas, com poéticas gráficas diferenciadas, mas tendo o desenho como ponto de partida, voltaram o olhar amoroso para detalhes e aspectos únicos do Palácio. Perceberam que o sentido de musealizar comporta também um recolocar, reordenar, visando a aquisição de informação ou potencialidade. É “mudar algo de lugar, às vezes no sentido físico, mas sempre no sentido simbólico.”

Isaura Pena e Júnia Penna, artistas mineiras, e as cariocas Malu Fatorelli e Nena Balthar desenvolvem uma colaboração artística que tem o espaço da arquitetura, dos jardins e do sítio do Museu do Palácio Catete como referência e suporte. Juntas já realizaram a exposição DECURSO na sala Manoel da Costa Athaíde do Museu da Inconfidência em Ouro Preto; o projeto Jardim Atlântico no Paço Imperial do Rio de Janeiro e no Colégio das Artes em Coimbra, Portugal.

Isaura Pena apresenta desenhos com aguadas de grafite sobre papel da série Plantas Baixas e tem como referência os desenhos realizados por Aarão Reis no final do século XIX para a reforma do Palácio do Catete.

Júnia Penna parte de uma antiga fotografia do museu e de seus arredores para elaborar um desenho construído por camadas de gestos realizados com caneta esferográfica. Sobrepostos, os traços azuis evocam a proximidade do mar, que outrora bordejava o jardim.

Malu Fatorelli utiliza a técnica de frotagem para recolher texturas das harpias que encimam a fachada do Museu da República. Seus desenhos trazem gestos/fragmentos dessa aventura realizada pelas artistas no topo do edifício. Um vídeo apresenta o processo.

Nena Balthar pesquisa a relação da rede subterrânea que conecta os seres vivos do reino vegetal e fúngico e suas redes de comunicação para pensar formas de compartilhar a vida. Uma série de desenhos em grafite e objetos cerâmicos alude ao gesto ancestral de plantar como o gesto de desenhar.

Nena Balthar, uma das quatro artistas na exposição. Foto: Divulgação/MR