Instituto Brasileiro de Museus
Museu da RepúblicaJuízes do TRF visitam o museu para conhecer o acervo Nosso Sagrado
Juízes dos Estados do Rio de Janeiro e do Espírito Santo, vinculados ao Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2), foram recebidos no Museu da República nesta sexta (20/3/26) para uma atividade de formação do curso “Equidade Racial e Poder Judiciário”, na qual conheceram o acervo Nosso Sagrado.
Inicialmente, o grupo de 54 inscritos foi recebido no Espaço Educação, onde foi exibido o curta “Respeita Nosso Sagrado”, dirigido por Fernando Sousa e Gabriel Lima. O filme registra o processo de transferência do acervo de 519 objetos sagrados do candomblé e da umbanda para o Museu da República, em 2020, ouvindo as principais lideranças envolvidas.
Depois da exibição, o grupo foi dividido em subgrupos rotativos. No Espaço Educação, a historiadora Maria Helena Versiani, do Núcleo de Acervos Arquivísticos e Bibliográficos, fez uma breve apresentação sobre a dimensão do acervo, o período histórico dessas apreensões (1890/1946), a reprodução de jornais com manchetes de época sobre apreensões e intervenções policiais, e uma reflexão sobre a política repressiva na 1ª metade do século XX.
Reserva técnica
O outro grupo foi conduzido para a Reserva Técnica do museu, onde foram recepcionados por Tata Songhele (Associação Espírita Senhor do Bonfim Oxalá Kupapa Unsaba/Bate Folha), pelo Ogam Marcos Aurélio (Ilê Omon Oya Legy) e pelo museólogo André Angulo, chefe do Núcleo de Acervos Museológicos, que apresentou a reserva técnica como espaço de cuidado institucional, em contraste com as condições em que o acervo esteve por décadas na Polícia Civil.
Nas estantes, os visitantes foram apresentados a peças como o Exu Ijelú, os atabaques, Adê de Oxum e Abebé, guias, cachimbos e muitas mais, o contexto de sua apreensão e seu significado religioso.
Em outro espaço da reserva técnica, os visitantes foram recebidos pela restauradora Thainá Vígio Ribeiro, que nos últimos meses restaura peças têxteis do acervo, numa ação conjunta com o IPHAN. A restauradora mostrou exemplos de peças sendo trabalhadas naquele momento e explicou o trabalho de conservação e restauro, abordando condições de umidade, temperatura, manuseio, documentação.
Encerramento
Na atividade de encerramento, Tata Songhele, Ogan Marcos e Pai Thiago (Templo do Vale do Sol e da Lua) falaram com os juízes sobre temas como o que significou, para as comunidades de terreiro, ter objetos sagrados como provas de crime; o que a gestão compartilhada representa como modelo de política pública; o que os estudiosos do Direito ainda não sabem sobre racismo religioso; e o que as lideranças religiosas esperam do Estado em termos de políticas de proteção da liberdade religiosa. Neste momento, os presentes esclareceram algumas dúvidas e apresentaram relatos de experiência.
Como formadores, integram o curso os juízes federais Fernanda Ribeiro Pinto, Carlos Adriano Miranda Bandeira e Fábio César Oliveira. Impactada positivamente pela experiência com o acervo, a turma pensa parcerias para multiplicar o alcance do potencial educativo do acervo Nosso Sagrado.
[Secom/MR]








