Exposição: Vestes, Vestígios, Rastros do Tempo

Tudo que a memória amou já ficou eterno
Adélia Prado
A exposição poética visual de Adriana Fontes traz para a Galeria do Lago a possibilidade de olharmos diferentemente para o Palácio do Catete, onde tantas histórias e camadas de tempo se sobrepõem. Museus, como espaços de memória reunindo sempre passado, presente e futuro, fazem o visitante pensar na impossibilidade de se criar fronteiras entre memória e imaginação.
Manuel de Barros, em verso antológico, registra o ato de transvisão, que diz melhor da natureza imaginativa da memória: “O olho vê, a lembrança revê, e a imaginação transvê” . Uma vez que o que ficou para trás se torna irresgatável em sua realidade palpável, é na memória que se projeta para o futuro. Transver é, portanto, a própria experiência do acontecer memorante.
Vestes, Vestígios, Rastros do Tempo é um convite para a imersão num momento histórico. Uma investigação sobre o que persistiu do fato acontecido, o que permaneceu na memória. E principalmente sobre como a imaginação transforma a realidade. Sons e ruídos vão se juntando às imagens para nos transportar a outros espaços. Ouvimos portas se abrindo e passos. Seguimos com eles percorrendo os magníficos pisos de parquet do palácio. Copos e talheres soam como num banquete e então entramos no salão de festas, conduzidos por imagens, leituras e discursos. São rastros de um tempo, vestígios que deixam pistas do que se passou. Lembranças trazem associações de ideias, atiçam a memória, despertam o inconsciente.
O olhar de Adriana Fontes recai sobre detalhes que a cercam e coloca sobre eles novas luzes. A realidade anterior a observa de perto, mas permite que a imaginação da artista tente contar uma nova história sobre as coisas. Navegar sem margens é preciso.
A memória habita liricamente as imagens projetadas, e como diz Pierre Nora, é “sensível a todas as transferências [...], se enraíza no concreto, no espaço, no gesto, no objeto”. Apenas o essencial permanece e assim de cada momento, de cada matéria fica o que importa.
As muitas fotos selecionadas vão revelando, diante do espectador, a delicadeza captada por Adriana em fragmentos de um tempo que antes parecia estagnado. O acervo dinamizado despe-se de suas antigas vestes e exibe suas formas para o prazer de quem assiste.
Isabel Portella
Dezembro de 2014

Confira algumas imagens:

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De 13/12/2014 a 01/02/2015