Pesquisadores da EBA-UFRJ discutem “Arte e Memória em tempos de crise” de 3 a 5/12

O Museu da República recebe de 3 a 5 de dezembro o XXII Encontro de Pesquisadores do PPGAV-EBA-UFRJ.

O evento pretende estimular reflexões e trocas a respeito das relações entre arte e memória e dos seus dilemas em tempos de crise – considerando os múltiplos e voláteis meios de memoração do presente; a pluralidade das narrativas da memória; a longeva relação da arte com narrativas oficiais e contra-narrativas da memória; e os dilemas de como, o que e quem lembrar frente a conflitos sociais e desmontes institucionais da memória. Convidamos pesquisadores, artistas, docentes e discentes a compartilhar práticas, processos e aspectos de suas pesquisas, através de comunicações orais ou intervenções artísticas, de forma a promover diálogos sobre a intricada relação do campo da arte com a formação, contestação ou mesmo apagamentos da memória.

O Encontro ocorrerá no Museu da República, importante instituição museológica e lugar da memória nacional, localizado no bairro do Catete, região próxima ao centro do Rio de Janeiro. Além das comunicações orais e intervenções artísticas selecionadas por chamada aberta, o evento contará também com palestrantes convidadxs.

O Encontro tem como finalidades:

– A promoção e o incentivo à visibilidade e difusão das pesquisas e produções artísticas desenvolvidas no âmbito do PPGAV, relacionando-as a outras pesquisas, práticas e pensamentos do campo;

– O fomento ao debate e trocas entre diferentes pesquisadores, estudantes, artistas, profissionais da arte e campos afins, e o público, bem como o diálogo e integração entre a graduação e a pós-graduação, entre a universidade e a sociedade;

– A identificação de questões afins e divergentes entre xs participantes, de modo a levantar diferentes aspectos e destacar a importância de um trabalho ativo e crítico de construção, preservação e trocas no campo da memória, bem como o mapeamento de tais questões em relação à conjuntura atual da produção artística e ao contexto sócio-histórico no cenário contemporâneo.

 O TEMA

Muito já foi discutido sobre a próxima relação entre arte e memória, isto é, a assumida tarefa da arte em representar tempos pregressos à luz do presente e trabalhar com os vínculos simbólicos de uma sociedade com suas narrativas. Em sua frágil e plural conexão com passado(s), presente(s) e futuro(s), a memória, bem como suas potencialidades e as ameaças a ela, continuam a ser reelaboradas e reconfiguradas por práticas, agentes e instituições da arte. Especialmente em tempos de crise – seja esta histórica, estética, cultural ou sócio-política –, se intensifica a importância de questionamentos sobre como a arte, suas estratégias e aparatos podem reiterar, contribuir ou desafiar construções e apagamentos da memória. Torna-se urgente também refletir sobre quais memórias ou contra-memórias ganham visibilidade ou continuam a ser silenciadas no campo da arte e em sua relação com a sociedade. Integrando pesquisas acadêmicas, práticas artísticas, equipamentos culturais e o público, o evento pretende fomentar o debate acerca das contribuições, ameaças e limites (se tal) da longeva relação entre arte e memória no contexto do presente. Para tanto, convidam-se contribuições em torno dos seguintes eixos temáticos:

A pluralidade das narrativas da memória: diante das fissuras de paradigmas que forçavam a projeção de narrativas uníssonas para sociedades e da expansão de meios de comunicação e conexões entre indivíduos, torna-se cada vez mais evidente a pluralidade da memória. Como memórias individuais, locais e de diferentes grupos confrontam ou intervêm na dita memória coletiva? Como práticas artísticas podem contribuir na elaboração plural, multidirecional e de ativação crítica de formas de lembrar e esquecer? O que elas nos ensinam sobre conexões entre subjetividades e o tecido social, que fazem parte das construções de memórias? Como práticas da arte podem contribuir para novas cartografias e epistemologias da memória, conectando contextos locais e globais, e de constituição cultural e identitária híbridas e não-normativas? E como outros campos podem contribuir para a pluralidade da relação entre arte e memória?

Apagamentos da memória: com a memória se fixando cada vez menos por entre cambiantes fluxos de narrativas digitais, sendo remodelada por discursos de poder e sofrendo severas perdas devido a negligências institucionais, é inegável a efêmera linha entre memória e amnésia. Se a memória se abre para uma pluralidade narrativa justamente devido a suas múltiplas possibilidades, como aproveitar esse potencial em fluxo sem que se negligenciem possíveis apagamentos que se dão no processo? Que estratégias as práticas artísticas e curatoriais vêm criando para lidar criticamente tanto com a amnésia quanto com a projeção fixa da memória institucional?

As diferentes potências de elaboração da memória na arte: intangibilidade, materialidade, arsenais perceptivos e imagéticos: se práticas artísticas que lidam com a memória têm em sua potência a possibilidade de lidar com o passado através de atravessamentos subjetivos, fragmentados e plurais, lidando com diferentes fluxos de imagens e conectando-se a diferentes formas de percepção e materialidade, como tratar dos diálogos e embates dessas potências com outros discursos e formas de elaboração do passado (como os da história, das estruturas sócio-políticas e das instituições da memória)? Quais os dilemas, intervenções e conflitos da relação processual e plural da arte com a memória em relação a práticas de preservação da memória histórica, social e institucional? Podem práticas da arte em relação à memória contribuir com outros alinhavos entre testemunhos, identidades, tempos e espaços?

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