Republicando: Boletim Mensal – Abril/2016

Republicando: o boletim do Museu da República

Foto antiga do Teatro Municipal
Augusto Malta. Pertence à Coleção Família Passos, do Arquivo do MR
A poesia é algo que anda pela rua
(Garcia Lorca)
O Rio de João: a rua, a alma,
o encanto

A melhor maneira para se conhecer uma cidade, um país, é andando por suas ruas. Entre avenidas, becos, esquinas, encontramos o passado, o presente e o futuro dessa cidade. A rua não é apenas o asfalto, a terra batida, a pedra escrava plantada eternamente. A rua tem alma, tem história, tem sangue e ciúmes, tem alegria e revolta, tem encontros e perdas, tem sonhos e lágrimas em cada curva, em cada praça, em cada chave que abre seus segredos. A rua não é apenas o caminho entre outros caminhos que se cruzam. A rua é o encontro, o ponto final e o começo de todos nossos desejos. A rua é onde bebemos nossas dores, gritamos por mudanças e sambamos pelo amor que surge no amanhecer do nosso carnaval. A rua é nossa, a rua é de todos. A rua é o tema e a poesia da nossa trigésima primeira jornada republicana, que vai debater o trânsito pela poeticidade das ruas na contemporaneidade, a partir do livro A alma encantadora das ruas, de João do Rio.
Seguindo por essas ruas, por essas trilhas, vamos comemorar em abril 2 anos de sucesso do nosso Cineclube Cinema e História Silvio Tendler, com a exibição do filme “Há Muitas Noites na Noite – Poema Sujo de Ferreira Gullar”, que recria a saga desse grande poeta brasileiro através de ilustrações, animação, documentos e depoimentos de artistas e intelectuais. O filme é guiado pelo livro “Rabo de Foguete” que narra a vida de Ferreira Gullar e a história de sua família destroçada pela ditadura militar.
Teremos também a “Feira de Fotos” organizada pela ABAF – Associação Brasileira de Arte Fotográfica e a nossa animadíssima “Seresta no Museu da República”, organizada pelos frequentadores do Museu.
E nos dias 12 e 19 teremos o “Encontro de Capacitação da Equipe de Segurança do Museu da República”, que tem como objetivo orientar a nossa equipe sobre as melhores práticas tanto em relação ao acervo como no tratamento aos visitantes. Nesses 2 dias o Museu abrirá às 12h e fechará normalmente às 17h (última entrada, meia hora antes do fechamento).
Para qualquer leitor de hoje, em pleno século XXI, o Rio de Janeiro das páginas de A alma encantadora das ruas é outra cidade, naturalmente. O que talvez possa nos escapar, contudo, é que para o leitor do início do século XX a cidade do Rio de Janeiro nas crônicas de João do Rio também era muito outra. Longe de ser um retrato naturalista da cidade, as cenas recriadas na sua famosa obra estão mais próximas de uma pintura impressionista: o que se capta da cidade é a sua alma, marcada por uma forte pincelada flou.
As transformações pelas quais o Rio de Janeiro passou na virada do século XIX para o XX foram captadas com um verdadeiro “fascínio pela observação”, fato que, como bem sinalizou o historiador Antonio Edmilson Martins Rodrigues, “se torna, em João do Rio, hábito e forma de vida”. Em outras palavras, o cronista sai para flanar pela cidade atentando para o que aos demais transeuntes passaria despercebido: por detrás do slogan “O Rio civiliza-se”, o flâneur enxerga o “suor humano na argamassa do seu calçamento”. Para os que veem na Avenida Rio Branco a nova artéria da cidade em graça e estilo, para João do Rio ela não passa da rua que “nasce, como o homem, do soluço e do espasmo”. É nesse sentido que o Rio de João fora pura novidade para seus contemporâneos.
E a rua de hoje? Com que olhar observaria João para o Rio do século XXI? Que diria das reformas urbanas que farão desta uma cidade olímpica? Que diria do funk descendo para o asfalto, dos graffitis nos seus muros, dos museus de favela? Onde encontraria a alma de uma cidade de encantos e desencantos mil? Evocar a memória de João do Rio é, enfim, evocar a memória de todos nós, entre Cláudias e Amarildos, que por trás de suas histórias carregam a poesia encantada das ruas. Talvez isso possa, de fato, ser chamado de um verdadeiro legado de João para o Rio.

André Luís Mourão de Uzêda

Agenda de Abril
Dias 1 a 3, 5 a 10, 12 a 17, 19 a 24 e de 26 a 30Seresta no Museu da República
Organizada pelos frequentadores do museu
Local: Pátio Interno
Horários: 17h às 20h (terça a sexta-feira) e
15h às 18h (sábados e domingos)

Dias 12 e 19
Encontro de Capacitação da Equipe de Segurança do Museu da República
O Encontro tem como objetivo orientar a equipe sobre as melhores práticas que o vigilante deve ter, tanto em relação ao acervo como no tratamento aos visitantes. Coordenação do Setor Educativo do Museu da República
Nesses dias o funcionamento do Museu será das 12h às 17h (última entrada, meia hora antes do fechamento)

Dia 16
Orquestra Villa Lobos e as Crianças
Ensaio no Jardim do Museu da República
Horário: 9h às 14h
Entrada Franca

Dia 24
Feira de Fotos
Organizada pela ABAF – Associação Brasileira de Arte Fotográfica
Local: Aleia da Rua Silveira Martins
Horário: Das 9h às 18h

Dia 26
XXXI Jornada Republicana
“A rua sente nos nervos essa miséria da criação, e por isso é a mais igualitária, a mais socialista, a mais niveladora das obras humanas”, afirmara João do Rio em A alma encantadora das ruas. Em suas crônicas, o autor explora o lado humano e poético de um espaço marcado pelo caráter transitório. No salto do início do século XX para o XXI, é fundamental debater o trânsito pela poeticidade das ruas na contemporaneidade.
Esse será o tema da Jornada do mês de abril.
Debate com convidados.
Local: Espaço Multimídia
Horário: 18h

No dia 26 de abril o Museu ficará aberto até às 22h. Última entrada meia hora antes do fechamento.
Dia 28
Cineclube Cinema e História Silvio Tendler.
Comemoração de 2 anos do Projeto Cineclube
Filme: “Há muitas noites na Noite – Poema Sujo de Ferreira Gullar”
Sinopse: “Há Muitas Noites na Noite” recria a saga do poeta Ferreira Gullar através de ilustrações, animação, documentos e importantes depoimentos de artistas e intelectuais. É guiada pelo livro “Rabo de Foguete” que narra sua vida e a história de uma família destroçada pela ditadura militar.
Ano: 2015 Duração: 26 min. Gênero: Documentário Direção: Sílvio Tendler Produção: Caliban
Após exibição haverá debate com o diretor Silvio Tendler e os historiadores Elizabeth Abel (Museu da República) e Roomney Lima.
Local: Cineclube Cinema e História Silvio Tendler.
Horário: 18h

Exposição “Por um beijo da Guanabara”
Local: Museu da República – 1º andar
Horário: 10h às 17h (de terça a sexta-feira) e 11h às 18h (sábados, domingos e feriados)

Exposição “Clóvis Bornay – 100 Anos”
Local: Sala de Exposições Temporárias do Museu da República
De 26 de janeiro a 30 de abril de 2016
Horário de visitação: 10h às 17h (de terça a sexta-feira ) e 11h às 18h (sábados, domingos e feriados) na Sala de Exposições do Museu

Exposição “Geodésia e Gelosia”, de Rosana Ricalde e Felipe Barbosa Curadoria: Isabel Portella
Local: Galeria do Lago
De 31 de janeiro a 01 de maio de 2016
Horário de visitação: 10h às 12h e das 13h às 17h (terça a sexta-feira) e 11h às 18h (sábados, domingos e feriados)
ENTRADA FRANCA

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